Sobre ingovernabilidade

Miguel Setembrino Emery de Carvalho

Este é realmente o tema do momento. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, o Brasil assiste perplexo ao governo de Dilma 2 tentar desesperadamente administrar a herança maldita lhe passada pelo governo de Dilma 1.

Após uma vitória simbólica nas urnas, apertadíssima, cabia a Dilma por em prática o programa de governo sufragado pelos eleitores, que prometia a continuidade das maravilhas do socialismo bolivariano, do nunca antes neste país.

Mas, como diria Garrincha, faltou combinar com os russos: nesse caso a dura realidade do dia a dia, dos fundamentos econômicos maltratados, das chagas da corrupção, dentre outros males, que insistiam em desmascarar tamanho otimismo descarado.

E lá foi Dilma 2 contradizer Dilma 1. Desesperada por sobrevivência política, e coerência ideológica, buscou nos adversários hediondos, que tiravam comida das mesas dos pobres, o receituário amargo para curar malfeitos em geral.
E, de uma tacada só, dá-lhe aumento de impostos; do financiamento da casa própria; retirada de verbas da educação e de direitos inalienáveis da classe trabalhadora; enfim, a antítese de um governo autoproclamado dos trabalhadores. Vergonha.

Já no Distrito Federal, o novo governador também assumiu seu posto recebendo uma cidade em pandarecos, com nada lembrando que durante quatro anos houve algum tipo de governo. Muito pelo contrário, há muito não se via tamanho descaso com a capital.

A diferença é que por aqui, a nova administração conta com o apoio incondicional dos brasilienses da gema, daqueles que amam e se importam com o Distrito Federal e com tudo que ele representa de fundamental para o desenvolvimento do Brasil.

Mas, como não existe cenário perfeito, o novo governo vem sendo confrontado por um sindicalismo de ocasião, omisso e covarde, que durante os quatro anos de desgoverno petista sequer pôs os pés na rua para exigir moralização e trabalho sério.

Como sempre, esses arautos do quanto pior melhor, em sua pequenez política, oferecem apenas radicalização e ameaças de tornar, de novo, ingovernável a nossa capital. Dessa vez, apenas, pelos motivos torpes que movem aspirações inconfessáveis.

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