Mudanças nos juros e portabilidade criam ambiente favorável para negociações no setor imobiliário

O governo anunciou que estuda meios para facilitar a portabilidade de créditos imobiliários. A portabilidade, que é a transferência de crédito de um banco para outro, está em vigor desde 2006. A nova medida facilitaria o deslocamento do financiamento para uma instituição bancária que oferecesse mais vantagens para o mutuário. Ainda não há data para o anúncio das medidas, mas a área técnica do governo está finalizando os estudos.
 
O assunto ganhou repercussão depois do anúncio das novas regras para a caderneta de poupança, no último dia 3. Ainda que não haja vinculação direta entre a remuneração dos novos depósitos da poupança e as taxas de juros dos financiamentos habitacionais, contratos antigos podem se tornar menos vantajosos à medida que as taxas de juros fiquem menores.

Com a redução dos custos, a expectativa é de que os bancos ofereçam financiamentos imobiliários a taxas menores, estimulando a procura pela portabilidade. Alguns bancos já disponibilizaram taxas reduzidas de empréstimos imobiliários. Para clientes ou para aqueles que se tornam titulares de contas, as taxas são ainda mais atrativas, com reduções chegando a até 21%.
 
Para não perder tempo, logo que soube da novidade, a servidora pública Ana Delmonte procurou negociar seu financiamento imobiliário. Ela tem uma casa no Lago Norte, área nobre de Brasília e paga um financiamento de R$2.750.  Ela conseguiu negociar o saldo devedor de seu contrato, com as mesmas condições de financiamento e diminuiu a prestação em R$400. Ana Delmonte lembra, no entanto, que teve que apresentar documentos como uma nova avaliação do imóvel e ainda teve que pagar uma taxa de transferência ou de portabilidade de R$1.000. “Vale a pena pagar a taxa porque o valor se dilui com a economia que se faz ao longo dos anos”, avalia Delmonte.

O presidente do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (SECOVI/DF), Carlos Hiram Bentes David, afirma que este é um momento único, de oportunidades no setor imobiliário. “Tanto os clientes antigos quanto os novos devem se manter informados para aproveitar facilidades tanto na aquisição da casa própria quanto em investimentos no setor,” conclui.

Ainda sobre os reflexos da redução dos juros na vida das pessoas, o economista e consultor na área de investimentos, Humberto Veiga, afirma que “esta é a hora de trocar dívidas mais caras por outras mais baratas”. Com o aumento da adimplência, ele acredita que os bancos estarão mais dispostos a oferecer crédito a juros mais simpáticos. No caso da portabilidade, ele lembra que as pessoas devem ficar atentas às condições oferecidas e fazer as contas para garantir que a troca vai valer a pena.  

Sobre os reflexos positivos da alteração das regras da poupança no setor imobiliário, Humberto Veiga diz que muitas pessoas vão procurar formas diversificadas de rentabilidade, o que inclui aí o setor imobiliário.

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