Cidade cada vez mais viva

  • 17 de abril de 2015

Por Miguel Setembrino E. de Carvalho – Pres. Conselho Consultivo SECOVI/DF

Às vésperas de completar 55 anos de existência, a cidade, através das pessoas que aqui chegaram por vontade própria, que a adotaram como sua e àquelas aqui nascidas, vem dado repetidas mostras de que ela não é mais (e acho que nunca o foi) apenas o fruto de uma mera decisão administrativa, de um plano de governo, que se tornou um organismo vivo, pulsante e consciente do seu existir, de sua importância e sua relevância no contexto histórico e social brasileiro.

São pessoas que se importam, amam e defendem incondicionalmente sua cidade, seja dos ataques especulativos, seja das línguas ferinas e injustas, seja do descaso e da omissão, ou do oportunismo reles e vil, preservando-a não por um apego ao imobilismo canhestro, mas sim por sua essência revolucionária e democrática, por seu espírito libertário e belo, que transcende o quadrilátero original e navega rebelde por esse oceano em forma de céu.

Há poucos dias, por exemplo, dois grandes debates deram sobejas mostras dessa preocupação com os destinos e o entendimento do conceito que temos da cidade. Em um dos casos se discutiu a pertinência ou não da construção de um memorial em homenagem ao ex-presidente João Goulart (O Jango), que seria construído no Eixo Monumental, entre o Memorial de JK e a Praça do Cruzeiro. Digo seria, pois as reações contrárias ao projeto foram tamanhas, que se não fosse a grita popular a obra teria se iniciado, mesmo trazendo em seu bojo inúmeras irregularidades, como depois o poder público constatou.

Mas, o bonito foi ver, independente da discussão técnico/política, que a maioria das objeções centravam-se no fato de Jango pouco se importar com a então nova capital e também com o fato de a construção do memorial interferir de forma definitiva com a observação do pôr do sol na Praça do Cruzeiro, um dos referenciais do imaginário da cidade. Ponto para o amor próprio!

Outro exemplo de preocupação com a descaracterização criminosa da cidade foi dado pela Câmara Legislativa do DF, instada pela pressão popular e de arquitetos e urbanistas, que vetou um projeto de lei que autorizava a alteração do uso e do potencial construtivo da 901 Norte, fortalecendo dessa forma a manutenção do tombamento e da qualidade de vida de nossa população. Mais pontos a favor!

Aproveitemos, pois, esse aniversário para clamarmos por mais carinho e aconchego para com a cidade. Queremos de volta o nosso Teatro Nacional e junto a sua orquestra; queremos reforma no nosso parque e pulmão da cidade; a manutenção inegociável, com a retirada imediata de invasões, do nosso Parque Nacional da Água Mineral; o restauro dos nossos bens culturais e monumentos públicos; enfim, uma Brasília capaz de renovar a fé no Brasil e nos brasileiros.

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