A diferença da crise brasileira e da bolha imobiliária americana

Nos Estados Unidos, a chamada crise das hipotecas subprime, entre 2007 e 2009, que aconteceu após uma bolha que valorizou de forma desproporcional os imóveis, fez o preço das residências recuar. Já a crise econômica brasileira, que começou em 2015, resultou em estagnação do mercado de imóveis. Porém, não houve diminuição acentuada nos preços.

O economista Eduardo Reis Araújo explica que durante o processo de crise nos Estados Unidos a desvalorização dos imóveis chegou a 35%. Variação de preço bem maior se comparada ao ramo imobiliário brasileiro, que teve uma oscilação negativa de apenas 1%. “O mercado andou de lado no Brasil. O que houve aqui foi uma paralisada nos estoques, a indústria teve a estratégia de não lançar unidades”, informou.

O mecanismo de financiamento residencial no país é diferente do americano, cuja crise se deu justamente pelo modo hipoteca de risco, que é dar o imóvel em garantia do empréstimo. “No Brasil, o Sistema Financeiro Habitacional (SFH) não usa operação de derivativos com muita instabilidade e riscos, é um mercado mais simples”, explica Eduardo.

Para o economista Luciano Nakabashi, da Universidade de São Paulo (USP), o que ocorreu no Brasil foi que os problemas da economia afetaram o setor imobiliário, ao contrário dos EUA em que o problema começou no ramo de imóveis. “Nos Estados Unidos, ocorreu uma bolha imobiliária pela reduzida taxa de juros e pela facilidade do acesso ao crédito com pouco controle. No Brasil, a crise imobiliária foi decorrente dos problemas derivados de um excesso de estímulos à demanda agregada, como bens e serviços, e dos gastos públicos”, finalizou.

Segundo o especialista na estruturação de fundos imobiliários, Telêmaco Genovesi, quando a crise começou nos EUA, as pessoas simplesmente pararam de pagar os empréstimos e entregaram as casas hipotecadas. “Isso virou uma bola de neve, porque os bancos ficaram com esse estoque de residências e tinham que se desfazer, vendendo barato. Já no mercado brasileiro, os preços estavam muito elevados, antes da crise, e simplesmente houve um ajuste agora”, explicou.

Com agências.